Sturgeon tells BBC: I’m serving a sentence for crime I didn’t commit
Sturgeon diz ao BBC: “Estou cumprindo uma sentença por um crime que não cometi”
Sturgeon tells BBC – Na semana passada, Nicola Sturgeon concedeu uma entrevista exclusiva ao apresentador Laura Kuenssberg do BBC, onde expressou sentimentos de angústia, afirmando que se sente “como se estivesse cumprindo uma sentença por um crime que não cometi”. A ex-primeira-ministra da Escócia falou sobre o escândalo envolvendo seu ex-marido, Peter Murrell, que admitiu ter desviado 400.000 libras da Partido Nacional da Escócia (SNP), partido que ela liderou por mais de uma década. Sturgeon rejeitou qualquer culpa por essa irregularidade e se recusou a pedir desculpas, apesar do impacto negativo sobre sua imagem.
Transações e negações
Sturgeon destacou que Murrell, que atuou como diretor do SNP por mais de 20 anos, cometeu o crime entre 2010 e 2022, enquanto ela exercia o cargo de líder do partido. Embora não tenha sido formalmente acusada, ela negou qualquer conhecimento sobre as ações de Murrell, afirmando que “não tenho memória consciente de ter visto” os bens que ele adquiriu com o dinheiro desviado. Entre as compras, incluía-se uma motorhome de 124.550 libras, adquirida com recursos do partido, e diversos outros itens de luxo.
“Não sou responsável pelos crimes que meu ex-marido cometeu e não vou pedir desculpas por ações alheias”, disse Sturgeon durante a entrevista. Ela destacou que a culpa recai sobre Murrell, afirmando que “ele enganou e fez a parte do crime, e por definição, isso incluiu mim, como líder do partido”.
A ex-primeira-ministra também mencionou a oferta de um colar, um dos itens mais caros, que teria sido comprado com fundos do SNP. Ela contou que, durante uma visita a Shetland, foi apresentada a um objeto belíssimo em uma loja de joias e, no mesmo dia, Murrell surpreendeu-a com a peça. “Eu usava esse colar frequentemente em público”, afirmou, demonstrando embaraço ao lembrar da situação. “Não sei por que eu teria usado algo sabendo que não era o que parecia. Foi uma revelação dolorosa, um choque”, concluiu.
Reações e críticas
O episódio gerou reações divididas entre o público. Enquanto alguns apoiavam Sturgeon por sua postura firme, outros exigiam mais transparência e investigação. O ministro do governo do Reino Unido, Pat McFadden, criticou a possibilidade de “uma cultura de controle e segredos que tenta silenciar a situação”. Ele destacou a importância de manter a responsabilidade, mesmo que o partido tenha sido afetado por atos de seu ex-diretor.
Sturgeon, ao ser perguntada sobre a responsabilidade que teria por isso, respondeu: “Não… ele cometeu um crime contra o SNP. Por definição, isso incluiu mim, como líder. Ele enganou, desviou e não há como negar isso”. Ela defendeu que a culpa pertence a Murrell, enquanto ela assume a responsabilidade por suas próprias decisões. “Estou aqui respondendo às perguntas porque acredito em accountability”, disse, reforçando sua posição.
Detalhes do escândalo
Ao falar sobre a motorhome, Sturgeon explicou que a compra teria sido feita por Murrell e armazenada na casa de sua mãe. “Essa motorhome estava do lado de fora da residência, e eu acreditava que pertencia ao vizinho”, contou, tentando justificar sua ignorância. “Por que eu teria associado esse objeto à SNP? Não havia indício de que fosse uma despesa do partido”. Essas palavras foram um dos pontos centrais da entrevista, destacando o desconforto dela com a percepção de culpa.
Além da motorhome, Murrell teria gasto o dinheiro em carros, jóias, bolsas, máquinas de café e consoles de jogos. Sturgeon se emocionou ao descrever o colar, lembrando que era um presente simbólico de seu marido, mas que, após o escândalo, se sentiu “traiçoeira” por ter usado itens que eram, de fato, apropriadamente do partido. “Foi um momento de dor, confusão e estranheza”, afirmou, tentando conter as lágrimas.
Contexto e consequências
Murrell renunciou ao cargo de diretor do SNP em março de 2023, após controvérsias sobre os números de membros da organização. Poucas semanas depois, foi preso em relação à investigação Operation Branchform, que analisava o uso de fundos do partido. Apesar de sua liderança, Sturgeon não foi acusada, mas seu nome ficou associado ao caso, gerando debates sobre a responsabilidade compartilhada.
Durante a entrevista, Sturgeon defendeu a transparência e destacou que o crime foi cometido por Murrell, enquanto ela mantinha a postura de inocência. “Estou aqui para mostrar que não sou oponente da accountability”, disse, mas reforçou que “não quero ser acusada de culpa por ações que não fiz”. Sua fala revelou o impacto emocional do escândalo, especialmente após ter percebido que itens que julgava como presentes pessoais eram, na verdade, financiados com recursos do partido.
Impacto na carreira e na imagem
O episódio levantou dúvidas sobre a credibilidade de Sturgeon, mesmo após anos de liderança. Ela tentou justificar a situação, argumentando que o crime foi cometido por seu marido, mas o fato de ter sido líder do SNP durante o período em que os fundos foram desviados gerou questionamentos. Apesar disso, ela manteve a determinação de se defender, afirmando que “não há como voltar atrás” no que foi feito.
Sturgeon também comentou sobre a percepção pública de que mulheres são frequentemente responsabilizadas por ações dos homens próximos. “Para mulheres que são acusadas de erros cometidos por seus parceiros, quero evitar que isso aconteça comigo”, disse, mostrando empatia com outras mulheres que passaram por situações semelhantes. Sua fala foi interpretada como um esforço para manter a autoridade em sua imagem, mesmo diante da crise.
No final da entrevista, Sturgeon deixou claro que sua responsabilidade está limitada às próprias escolhas. “Eu assumo responsabilidade pelos meus atos e decisões”, afirmou, enquanto refletia sobre o impacto da situação. “Mas o crime que ele cometeu, eu não o cometi”. Essas palavras reforçaram sua posição, mas também deixaram espaço para críticas que questionam o papel de liderança que ela desempenhou no episódio.
O caso continua sendo analisado, com a comunicação entre o partido e a opinião pública ainda em aberto. Sturgeon, ao expor os detalhes da história, buscou estabelecer uma clara separação entre o crime de Murrell e sua própria conduta. Mesmo com a aparente clareza, o escândalo ressaltou a complexidade de manter a integridade em cargos de alta visibilidade, especialmente em um ambiente político onde as finanças podem ser questionadas.
Reconstrução e expectativas
Sturgeon agora espera que a opinião pública compreenda a situação. Ela afirma que o escândalo é um exemplo de como “o dinheiro público pode ser abusado por dentro do próprio partido”. Ao encerrar a entrevista, ela reafirmou que “não vou
