‘I was a prisoner in my home’: Drug gangs ‘cuckooing’ hundreds of homes a week, police warn
Gangues de drogas ‘cuckooing’ casas no Reino Unido, vítimas descrevem prisão em sua própria residência
I was a prisoner in my home – O fenômeno de “cuckooing” está se tornando uma realidade crescente no Reino Unido, com centenas de casas sendo ocupadas por gangues de drogas semanalmente. Pessoas vulneráveis, como idosos ou com deficiências, são frequentemente forçadas a aceitar a presença de criminosos em seus lares, transformando suas casas em locais de tráfico e violência. O termo se refere ao modo como gangues se apropriam de residências, assim como os cucos invadem os ninhos de outras aves.
Como o “cuckooing” funciona
O “cuckooing” é uma prática que envolve a ocupação ilegal de casas, onde os moradores são manipulados ou intimidados para deixar seus espaços. Segundo o National Police Chiefs’ Council (NPCC), 1.539 ocorrências foram registradas em Londres entre maio de 2025 e abril de 2026. As vítimas, em muitos casos, são homens, mas mulheres também são afetadas, especialmente quando se trata de situações de dependência ou isolamento social.
“A invasão é escondida dentro das casas, e nem sempre é fácil detectar”, afirmou Kirsten Dent, representante do NPCC, ao BBC. “Alguns casos envolvem abusos físicos e psicológicos, deixando as vítimas presas em seus próprios espaços.”
Consequências e exemplos de vítimas
I was a prisoner in my home – Jamie, um homem de 34 anos, viveu essa realidade após ser vítima de uma gangue que o manipulou com uma lesão cerebral. “Pessoas que antes eram gentis e saudáveis se tornaram invasoras, levando tudo o que podiam”, lembrou. Ele relatou que foi obrigado a aceitar a ocupação da gangue, inclusive sendo espancado por um adolescente mais jovem.
“Com minha lesão, era quase impossível ser firme com eles. Não conseguia lutar nem argumentar”, disse Jamie. “Tinha que aceitar tudo, e quando tentei sair, eles me ameaçaram com represálias violentas.”
Outra vítima, Jackie, descreveu a experiência como “ser uma prisioneira em minha própria casa”. Ela foi mantida em um quarto enquanto o traficante que a expusera se instalava no restante da residência. “Tentava entrar no living e na cozinha, mas ele me dizia ‘não, você não vai sair'”, contou. “Às vezes, ele prometia me levar para comer, mas era raro.”
Legislação e combate ao problema
O NPCC destacou que a prática está prevista para se tornar um crime específico no final deste ano, com punição máxima de cinco anos de prisão. A nova lei, incluída no Crime and Policing Act 2026, busca punir quem ocupa casas sem autorização, mas o governo ainda não emitiu orientações detalhadas para as forças policiais. “As condições de squalor são desumanas, e muitos se sentem inseguros ao denunciar”, destacou um policial.
“Eles se apropriaram de minha vida, dizendo que podiam ficar o tempo que quisessem”, disse Jackie. “A situação tem gerado debates sobre a necessidade de leis mais rigorosas e ações coordenadas entre as forças de segurança.”
Apesar das medidas legais em andamento, o problema persiste, especialmente em operações de “county lines” – o transporte de drogas de grandes cidades para áreas rurais. O NPCC realizou inspeções em 683 endereços suspeitos no final de março, revelando sinais de desamparo em diversos imóveis. “Essas casas se tornam refúgios para o crime, e as vítimas estão sem opções”, observou um funcionário da polícia.
Para sobreviver ao episódio, Jackie recorreu à droga, mas conseguiu se livrar da dependência após meses de ocupação. Agora, ela trabalha com grupos de apoio para alertar sobre as consequências do cuckooing. “A experiência mudou minha vida, e quero ajudar outras pessoas a evitar o que passei”, afirmou.
As autoridades acreditam que a nova legislação ajudará a identificar e punir os responsáveis, mas alertam que a vigilância contínua é essencial. “A maioria das vítimas, 1.275, são homens, mas as mulheres também sofrem com esse tipo de controle”, ressaltou o NPCC. A prática, embora não específica, tem se tornado uma forma de intimidação e domínio sobre os moradores.
I was a prisoner in my home – O caso de Jamie e Jackie ilustra como o cuckooing pode se transformar em uma prisão emocional e física. Vítimas de situações semelhantes relatam ser forçadas a comer excremento de cão ou realizar atos sexuais, com a ameaça de divulgação nas redes sociais. “Essas provas são então usadas como ameaça: ‘Se você não fizer o que digo, compartilharemos isso com os amigos'”, destacou Kirsten Dent.
